| Homem foi condenado à pena de morte por morte de enteada; vídeo, no entanto, revelou que prova foi plantada. Foto: Jamal Barnes/Innocence Project/via Metrópoles |
A Justiça dos Estados Unidos anulou a condenação de Jimmie "Chris" Duncan, de 57 anos, que passou 27 anos no corredor da morte acusado de matar a própria enteada, uma criança de dois anos. A decisão foi tomada após a divulgação de um vídeo inédito que levantou questionamentos sobre uma das principais provas utilizadas para condená-lo.
De acordo com informações divulgadas pelo Metrópoles, Duncan foi sentenciado à pena de morte em 1998 pela morte da menina, ocorrida em 1993. Na época, a acusação sustentou que a criança havia sido agredida e afogada de forma intencional, baseando-se principalmente em supostas marcas de mordidas encontradas no corpo da vítima.
Uma investigação realizada pela NBC News, divulgada pelo portal Metrópoles, revelou imagens de um exame post-mortem nas quais um dentista forense aparece pressionando e raspando um molde dentário de Duncan sobre a pele da criança. A gravação colocou em dúvida a confiabilidade das evidências que serviram de base para a condenação.
Segundo a versão apresentada por Duncan desde o início do caso, ele teria deixado a enteada sozinha por alguns instantes durante o banho. Ao retornar, encontrou a menina submersa e tentou reanimá-la, mas não conseguiu evitar sua morte.
Inicialmente, o caso foi tratado como homicídio culposo, quando não há intenção de matar. No entanto, a acusação foi posteriormente alterada para homicídio em primeiro grau após a análise das supostas marcas de mordidas, o que levou à condenação e à sentença de morte.
A defesa de Duncan contou com o apoio do Innocence Project, organização dedicada à revisão de condenações potencialmente equivocadas. Em nota, a entidade afirmou que, embora a decisão não possa devolver os anos perdidos pelo condenado, ela representa um importante reconhecimento da injustiça sofrida por ele e por seus familiares.
Duncan já havia obtido liberdade provisória em novembro do ano passado, após uma decisão judicial favorável. No fim do mês passado, a Suprema Corte do estado da Louisiana confirmou a anulação da condenação, encerrando um dos casos mais emblemáticos envolvendo o uso de provas periciais contestadas no sistema de Justiça norte-americano.