Estudo encontra cocaína e outras drogas em todos os camarões analisados em rios do Reino Unido

Estudo revelou encontrou mais de 50 substâncias diferentes. Foto: Gammarus pulex(reprodução)/Wikipedia

Um estudo conduzido por pesquisadores da King's College London em parceria com a Universidade de Suffolk, com informações divulgadas pela CNN Brasil, revelou a presença de cocaína em todos os exemplares de um pequeno crustáceo de água doce analisados em rios da região de Suffolk, no Reino Unido. A descoberta chamou a atenção dos cientistas por evidenciar o alcance da contaminação química nos ecossistemas aquáticos.

A pesquisa teve como foco o Gammarus pulex, um invertebrado amplamente encontrado em rios e córregos europeus. Por viver em contato direto com os sedimentos e a água, a espécie é considerada um importante indicador da qualidade ambiental, refletindo os impactos da poluição sobre o ecossistema.

Além da cocaína, os cientistas identificaram a presença frequente de cetamina, substância utilizada como anestésico e também conhecida pelo uso recreativo. O composto foi encontrado em 76% das amostras analisadas. O estudo buscou mapear diferentes tipos de poluentes presentes nos cursos d’água, incluindo medicamentos, pesticidas e drogas ilícitas.

Para realizar a investigação, os pesquisadores coletaram amostras de água e dos próprios invertebrados em 15 pontos distribuídos por cinco bacias hidrográficas da região. Com o auxílio de técnicas laboratoriais avançadas, foram analisados 107 compostos químicos diferentes.

Os resultados mostraram que os animais estavam expostos a uma combinação complexa de substâncias. Ao todo, 56 compostos distintos foram detectados nos organismos estudados. Entre eles, estavam pesticidas já proibidos na União Europeia, como o fenuron, indicando que esses produtos podem permanecer no ambiente por longos períodos ou ainda estar sendo utilizados de forma irregular.

Outro dado que surpreendeu os pesquisadores foi o potencial de alguns medicamentos para causar impactos na fauna aquática. Segundo a análise, determinados antipsicóticos apresentaram maior capacidade de provocar efeitos adversos nos animais do que alguns pesticidas tradicionalmente considerados preocupantes.

Os autores concluíram que a poluição dos rios é mais ampla e complexa do que aparenta. Mesmo em áreas predominantemente rurais, os organismos aquáticos estão expostos a uma mistura de drogas, medicamentos e outros contaminantes capazes de alterar seu comportamento e sua saúde. Diante desse cenário, os pesquisadores propõem uma nova abordagem para avaliação dos riscos ambientais, baseada na quantidade de poluentes acumulados dentro dos próprios seres vivos, o que permitiria compreender melhor os efeitos reais dessas substâncias sobre os ecossistemas.

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