Com que mão?: Mulher sem braço direito é multada por usar celular nos EUA

Uma abordagem de trânsito na cidade de Lake Worth, na Flórida (EUA), tornou-se o centro de um intenso debate sobre preparo policial após o vídeo de uma autuação viralizar nas redes sociais no início de junho de 2026. A motorista Kathleen Thomas, de 36 anos, que nasceu sem o braço direito, foi multada por um policial sob a acusação de estar utilizando um aparelho celular com a mão direita, membro que ela comprovadamente não possui.

As imagens, registradas pela câmera corporal do próprio agente durante a fiscalização realizada em fevereiro, mostram o momento em que o oficial insiste na infração mesmo após os protestos da motorista. O tom da abordagem escalou quando o policial chegou a pedir que Kathleen jurasse, "com a mão em Deus", que não estava utilizando o dispositivo. Mesmo diante da explicação e da demonstração clara da condição física da condutora, que tem o braço direito terminado na altura do cotovelo, o oficial manteve a autuação.

Kathleen Thomas, que nasceu com a condição, teve a infração cancelada após a repercussão de um vídeo da abordagem policial nas redes sociais. Foto: Reprodução

Após meses de desgaste tentando contestar a multa administrativamente, Kathleen decidiu tornar o caso público ao compartilhar as imagens da abordagem na internet. A repercussão foi imediata, com milhões de visualizações e críticas severas à postura do departamento policial envolvido. Poucos dias antes de uma audiência judicial que decidiria o futuro da multa, o Gabinete do Xerife do Condado de Palm Beach recuou e solicitou o cancelamento da infração. Em nota, o órgão justificou a anulação afirmando ter realizado uma revisão detalhada das circunstâncias e da legislação estadual.

Kathleen Thomas declarou, em entrevista à rede CBS News, que não acredita que o policial tenha agido com má-fé deliberada, mas aponta para uma falha crítica de preparo e sensibilidade no trato com pessoas com diferenças físicas. Segundo a motorista, o objetivo ao expor o caso não é apenas o cancelamento de uma multa, mas promover a conscientização de que a diversidade humana é parte do cotidiano e que as forças de segurança precisam estar preparadas para lidar com realidades diferentes das convencionais sem pressupostos equivocados.

Fonte: O Globo

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