| A busca é uma reação a hiperconectividade as redes sociais. Foto: Divulgação/Apple |
A geração que cresceu com smartphones está redescobindo o iPod — não por nostalgia, mas pelo que o aparelho não oferece: notificações, algoritmos e redes sociais.
A procura pelo dispositivo vem crescendo. O Enjoei registrou alta de 47% no valor total de iPods vendidos no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior. Na OLX, as buscas pelo aparelho subiram 18,9% em abril e 22% no acumulado de janeiro a abril, na comparação com 2025.
Jovens ouvidos pela reportagem do G1 relatam que o celular se tornou uma fonte constante de distração. Cláudio Wollace, de 26 anos, usa um iPod Nano comprado por R$ 130 na academia e na faculdade. "É um aparelho feito só para música, sem notificações ou outras coisas que tirem minha atenção", diz. Para ele, baixar músicas manualmente e transferi-las para o dispositivo é "revigorante" — justamente o oposto do que muitos consideram um incômodo.
Emanuelle Assunção, 27 anos, comprou um iPod Touch usado por R$ 230 em 2024. Como o Spotify deixou de ser compatível com o aparelho, ela voltou a baixar músicas no computador para transferi-las manualmente — prática que, segundo ela, trouxe mais controle sobre o que ouve.
Para a especialista em cyberpsicologia Angelica Mari, o fenômeno reflete uma rejeição à hiperconectividade. "Baixar músicas e atualizar playlists manualmente vai na contramão da conveniência, mas devolve um certo nível de autonomia", avalia. Ela aponta movimento semelhante com o retorno dos fones com fio, que reintroduzem uma "materialidade eliminada pelo Bluetooth".
O interesse crescente, porém, tem elevado os preços. Um iPod Classic usado pode ultrapassar R$ 1 mil em sites de revenda — o mesmo modelo que Cláudio sonha em ter.