Raio atinge foguete chinês durante lançamento, mas missão é concluída com sucesso

Apesar do impacto durante a subida, veículo espacial conseguiu concluir missão e colocar satélite de comunicações em órbita prevista. Foto: Reprodução/X/via Olhar Digital

Um fato incomum marcou um lançamento espacial no Centro de Satélites de Xichang, localizado na província chinesa de Sichuan. Cerca de 30 segundos após deixar a base, o foguete Longa Marcha 3B foi atingido por uma forte descarga elétrica. O momento do impacto foi capturado por câmeras de monitoramento, mas, apesar do susto, o incidente não comprometeu a trajetória do veículo espacial.

A nave levava a bordo o Tianlian II-06, um satélite voltado para a retransmissão de dados e comunicações. Segundo informações prestadas pela Corporação de Ciência e Tecnologia Aeroespacial da China e replicadas no Brasil pelo Olhar Digital, a carga útil atingiu perfeitamente a órbita programada. O novo equipamento terá papel fundamental no suporte às operações da estação espacial Tiangong e na sustentação de futuras viagens tripuladas operadas pelo país.

Ainda que surpreendente, o episódio chinês não é único na história da exploração espacial. Registros históricos mostram outros episódios em que foguetes foram interceptados por raios nos instantes iniciais de subida. Um dos casos mais memoráveis ocorreu na célebre missão Apollo 12, em 1969, quando o imponente Saturn V recebeu duas descargas elétricas logo após a decolagem. Relatórios posteriores da agência espacial norte-americana indicaram que, embora sensores secundários tenham sofrido danos definitivos, a viagem seguiu sem maiores percalços e culminou com a alunissagem bem-sucedida dos astronautas.

Situação parecida envolveu a nave russa Soyuz em 2019, que também foi atingida durante o voo e, da mesma forma, entregou seu satélite com precisão no espaço. Por outro lado, a sorte não foi a mesma para a missão Atlas/Centaur-67 em 1987. Na ocasião, a descarga atmosférica causou pane no computador de navegação do veículo norte-americano, resultando na perda total da espaçonave.

O revés com o Atlas/Centaur forçou a NASA a reformular profundamente seus protocolos de segurança meteorológica. A agência instituiu um rigoroso conjunto de diretrizes conhecido como Critérios de Lançamento sob Condições de Raio, que estabelece parâmetros estritos para suspender lançamentos diante de riscos elétricos na atmosfera. Desde a implementação dessas normas, o programa espacial dos Estados Unidos não voltou a registrar incidentes causados ou induzidos por raios durante decolagens.

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