Empresa chinesa apresenta androide ultrarrealista desenvolvido para combater a solidão

Antes vistos apenas em filmes de ficção científica, os robôs humanoides estão cada vez mais próximos da realidade. A empresa chinesa UBTech revelou uma nova linha de androides com aparência extremamente realista, desenvolvidos para atuar como companheiros digitais e ajudar a reduzir a sensação de solidão.

Batizado de U1, o modelo é descrito pela fabricante como um dos primeiros robôs humanoides em tamanho real com visual altamente semelhante ao de uma pessoa. Equipado com inteligência artificial, ele foi projetado para interagir de forma contínua com os usuários, ouvindo conversas, oferecendo apoio emocional e acompanhando a rotina diária.

A apresentação ocorreu, segundo o portal UOL, na cidade de Shenzhen, em um evento com atmosfera futurista que contou com a participação do DJ Alan Walker. Segundo a empresa, o robô pode reconhecer sinais de cansaço ou estresse e responder com mensagens de incentivo e conforto, além de aprender gradualmente os hábitos e preferências do usuário.

O público-alvo inclui principalmente pessoas que vivem sozinhas e idosos. Entre suas funções estão lembretes para medicamentos, sugestões de vestuário e monitoramento básico de bem-estar. Apesar da aparência avançada, o U1 não realiza tarefas domésticas, como cozinhar ou limpar, e também não foi desenvolvido para oferecer experiências íntimas.

O lançamento reflete o avanço da robótica na China, mas também levanta debates sobre privacidade e dependência emocional. Adek Berry/AFP/via UOL

Disponível em versões masculina e feminina, o humanoide pode ser customizado para reproduzir a aparência de familiares, personagens fictícios ou figuras públicas. Os preços variam de cerca de 119,8 mil yuans (aproximadamente R$ 91 mil) até 990 mil yuans (cerca de R$ 753 mil), dependendo da configuração escolhida.

A proposta, no entanto, gera debates. Especialistas apontam riscos relacionados à dependência emocional e à proteção de dados pessoais. A empresa afirma que as informações coletadas são protegidas por criptografia e não serão utilizadas para o treinamento de sistemas de inteligência artificial.

A iniciativa surge em um momento de forte expansão da robótica na China. O país lidera o desenvolvimento de robôs humanoides e concentra a maior parte das instalações desse tipo de tecnologia no mundo. Dados do governo chinês indicam que centenas de novos modelos foram lançados recentemente, refletindo a prioridade estratégica dada ao setor nos planos de desenvolvimento tecnológico nacionais.

Fundada em 2012, a UBTech já atua no segmento de robótica industrial e agora aposta no mercado de humanoides voltados ao consumidor final, buscando ampliar a presença dessa tecnologia no cotidiano das pessoas.

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