| Morte de Chutou expôs uma lacuna legal, pois a China não possui uma lei específica para a proteção de animais domésticos. Foto: Reprodução/Douyin/via R7 |
Um caso que gerou comoção nas redes sociais chinesas envolveu a morte de Chutou, um border collie conhecido por acompanhar seu tutor em viagens pelo país e acumular mais de 1,5 milhão de seguidores na plataforma Douyin, versão chinesa do TikTok.
O animal, segundo o portal R7, foi roubado em maio, na província de Henan, enquanto estava sob os cuidados dos pais de seu tutor, identificado como Guo. De acordo com imagens de câmeras de segurança, um casal em uma scooter elétrica levou o cão à força enquanto ele permanecia próximo ao carro da família, mesmo usando coleira e dispositivo de rastreamento.
Ao descobrir o desaparecimento, Guo interrompeu uma viagem internacional e retornou à China para procurar o animal. Após analisar gravações e percorrer diversas localidades, ele conseguiu localizar os envolvidos no caso. No entanto, recebeu a informação de que Chutou já havia sido abatido.
Segundo a investigação policial, o cachorro foi vendido por 180 yuans (cerca de R$ 130) para um restaurante que comercializa carne de cachorro. Três dias após o roubo, o animal foi morto para consumo. Os suspeitos alegaram ter acreditado que se tratava de um cão abandonado, versão que foi contraditada pelas imagens de segurança.
O caso reacendeu o debate sobre a proteção dos animais de estimação na China. Embora o país tenha registrado um crescimento expressivo no mercado pet nos últimos anos, a legislação nacional ainda trata cães e gatos como propriedade, limitando as punições em casos de roubo ou morte de animais domésticos.
Em 2020, o Ministério da Agricultura chinês retirou oficialmente os cães da lista de animais destinados à criação para consumo, reconhecendo-os como animais de companhia. Além disso, cidades como Shenzhen e Xangai adotaram proibições específicas contra o consumo de carne de cachorro e gato.
Apesar dessas mudanças, o comércio de carne de cachorro ainda persiste em algumas áreas rurais do país, onde animais roubados frequentemente abastecem esse mercado clandestino. O caso de Chutou provocou indignação entre internautas e defensores dos direitos dos animais, que cobram leis mais rígidas para proteger os pets e punir crimes dessa natureza.