| O secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, durante entrevista à imprensa, em 16 de abril de 2026. Foto: Nathan Howard/ Reuters/via G1 |
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, anunciou, segundo informações divulgadas pelo G1, nesta quarta-feira (15) a criação de um programa de triagem hormonal para militares das Forças Armadas norte-americanas. A medida prevê exames anuais de testosterona para integrantes com 30 anos ou mais e, segundo o governo, tem como objetivo garantir que as tropas mantenham níveis adequados de prontidão física e mental.
De acordo com Hegseth, os testes passarão a fazer parte dos exames médicos obrigatórios realizados pelos militares. Já os profissionais com menos de 30 anos poderão participar voluntariamente da triagem.
Em vídeo publicado nas redes sociais, o secretário afirmou que a iniciativa busca assegurar que os militares permaneçam "fortes, resilientes e capazes" diante das exigências do campo de batalha moderno. Ele também destacou que a eventual adesão à terapia de reposição hormonal será opcional.
Apesar do anúncio, o Pentágono não detalhou quais condições médicas específicas motivaram a criação do programa nem informou quais estudos científicos serviram de base para a decisão.
Debate sobre reposição hormonal
A iniciativa surge em meio a um movimento mais amplo dentro da administração do presidente Donald Trump para ampliar o acesso à terapia de reposição de testosterona. Nos últimos meses, o secretário de Saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr., e outros integrantes do governo têm defendido a flexibilização das regras para prescrição do hormônio.
| O presidente dos EUA, Donald Trump, olha para o secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., durante anúncio na Casa Branca, em Washington, em 22 de setembro de 2025. Foto: REUTERS/Kevin Lamarque/via G1 |
Atualmente, a Agência de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA) recomenda esses tratamentos principalmente para pacientes diagnosticados com hipogonadismo, condição caracterizada por uma produção insuficiente de testosterona.
No entanto, grupos ligados ao movimento "Make America Healthy Again" passaram a promover o hormônio como uma ferramenta para combater o envelhecimento, aumentar a massa muscular e preservar a capacidade cognitiva. Essas alegações, entretanto, não são consenso entre especialistas.
Histórico de controvérsias
O anúncio também chama atenção por ocorrer após anos de debates sobre o uso de testosterona e substâncias semelhantes entre militares de elite norte-americanos.
O tema ganhou destaque após a morte de um recruta dos Navy SEALs durante um treinamento em 2022. Investigações posteriores encontraram testosterona e outras substâncias em sua posse, revelando um cenário de uso mais amplo de compostos para melhoria de desempenho físico dentro da unidade.
Em resposta, a Marinha dos Estados Unidos anunciou, em 2023, a ampliação dos testes toxicológicos para identificar hormônios e substâncias relacionadas ao ganho de massa muscular.
Hegseth, porém, afirma que a nova política não tem relação com aprimoramento artificial de desempenho, mas sim com a manutenção da saúde e da capacidade operacional dos militares.
O que diz a ciência
Os níveis de testosterona tendem a diminuir naturalmente com a idade. A redução hormonal pode estar associada a sintomas como queda da libido, disfunção erétil, alterações de humor, perda de massa muscular e ganho de peso.
Nos últimos anos, pesquisas realizadas por instituições de saúde dos Estados Unidos apontaram que a reposição hormonal pode trazer benefícios para alguns pacientes, especialmente em aspectos ligados à função sexual e à composição corporal.
Por outro lado, estudos também indicam que os ganhos relacionados à memória, fadiga e bem-estar geral são limitados ou inexistentes em muitos casos.
Especialistas ressaltam que a avaliação dos níveis de testosterona exige cuidados específicos, já que a concentração do hormônio varia ao longo do dia. Por isso, as diretrizes médicas atuais não recomendam exames de rotina para toda a população. A orientação é que a investigação seja realizada apenas em pacientes com sintomas compatíveis e após a confirmação de níveis reduzidos em exames laboratoriais repetidos.
Até o momento, o Pentágono também não esclareceu se militares do sexo feminino poderão ser incluídas em programas semelhantes de monitoramento hormonal, nem se haverá protocolos específicos voltados às mudanças hormonais associadas ao envelhecimento das mulheres.